Hiperconectividade e seus impactos na comunicação no condomínio
Colunista reflete sobre a transformação na comunicação dentro dos condomínios no cenário de pessoas com acesso constante à informação e exigências real time

O acesso constante à informação transforma a maneira como consumimos notícias, trabalhamos e nos relacionamos, trazendo vantagens e desafios, como a necessidade de equilibrar o tempo online e offline.
Dentro dos condomínios, a comunicação é dinâmica e está em constante evolução. O grande desafio é utilizar ferramentas e canais de maneira consciente e eficaz.
A comunicação nos tempos atuais é rápida, multifacetada e altamente influenciada pela tecnologia. Com a internet e os dispositivos móveis, a informação circula instantaneamente.
Muito se fala sobre a importância da comunicação com os moradores e sobre diversas técnicas para aprimorá-la. Mas, será que, na prática, elas realmente funcionam? Como síndica, posso afirmar que não é tão simples assim.
Cada síndico tem sua própria forma de se comunicar e estratégia de abordagem, que depende do seu público e do perfil do condomínio. No entanto, de maneira geral, a comunicação costuma seguir um padrão.
Por exemplo, ao realizar uma manutenção, informamos os moradores pelos canais disponíveis: comunicação visual e multimídia, inteligência artificial e automação (chatbots), e-mail, entre outros.
No final da semana ou do mês, apresentamos um relatório — ou, em alguns casos, uma revista — detalhando todas as manutenções realizadas, com fotos do antes e depois.
Pasmem! Isso já não tem sido suficiente. Ainda assim, recebemos críticas alegando que "a gestão não se comunica".
Administrar um condomínio tem se tornado uma tarefa cada vez mais desafiadora e estressante. A ansiedade, considerada a doença do século, afeta a todos, tornando a convivência mais complexa. O comportamento das pessoas e suas constantes cobranças fazem com que a gestão condominial exija cada vez mais jogo de cintura e resiliência.
Os moradores querem vídeos diários mostrando o que acontece no dia a dia do condomínio. No entanto, ao abrir essa linha de comunicação, o síndico acaba dobrando sua carga de trabalho para manter a sincronização com as manutenções.
Caso não o faça, alguém se antecipa no grupo de WhatsApp do condomínio e inicia uma onda de questionamentos, muitas vezes feitos por "especialistas" que, por meio de críticas, tentam demonstrar que sabem mais do que a gestão que está à frente do trabalho.
Isso é saudável? Nem sempre, pois, muitas vezes, fica evidente uma disputa de egos. Diante desse cenário, surge uma questão: Qual será o futuro do mercado condominial e da sua comunicação? Deixo esta reflexão.
(*) Rose Brandão é formada em Administração de Empresas pela FMU. Certificada em Administração de Condomínios pelo Secovi-SP. Atua como Síndica Profissional na empresa Exclusiva Síndico.